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Depoimento de Andrey Taffner sobre a experiência vivida no intercâmbio jovem 2010


De volta à terra de origem

Redescoberta da própria história nos vales trentinos

 

Uma sensação bastante particular, que creio, apenas descendentes de imigrantes podem experimentar, é a de ouvir falar de um lugar distante, de uma terra que foi deixada para trás por razões diversas, mas que não foi esquecida, que permanece viva na memória. Crescer ouvindo falar de um lugar, vendo imagens, vivendo a cultura trazida, tudo se reportando a um lugar distante, que sequer se conhece. Tal sensação é a eterna ligação com a terra-mãe, que foi trazida pelos imigrantes e transmitida a seus descendentes.

A possibilidade de participar em uma atividade de intercambio, promovida pela Provincia di Trento, e coordenada pela cativante Antonella Giordani, foi a oportunidade perfeita para visitar a região trentina, tão retratada e falada na minha cidade natal, Rio dos Cedros, colonizada por trentinos. A experiência do intercambio além de nos possibilitar conhecer a terra de origem, ainda nos faz conviver com o dia a dia de uma família trentina, no caso, a família que hospeda os participantes do intercambio. Tive o prazer de ser hospedado pela família Finessi, de Ravina di Trento, que em seu meio preserva alguns hábitos como o dialeto trentino, a culinária, etc.

Conhecer a província trentina, é para nós, descendentes, uma emoção inigualável. A cidade de Trento, capital da Província, guarda belezas espetaculares, em especial no centro histórico, com o majestoso monumento a Netuno, o Duomo, e todo o espaço de bares e restaurantes ao seu redor, onde se reúnem jovens ou famílias, tornando-a sem duvida uma das mais agradáveis praças italianas.

Os vales trentinos guardam peculiaridades típicas de uma região que por séculos ficou caracterizada pelo isolamento. Os longos invernos alpinos faziam com que as pessoas tivessem pouca comunicação, ficando restritas somente as suas comunidades. Desde o dialeto até a arquitetura percebesse essa diferença. Na porção nordeste da província encontrasse a comunidade de Fassa, onde ainda é falado um antigo dialeto derivado do latim. Também nessa região avistam-se as mais belas montanhas Dolomiti do trentino. Na parte ocidental da província por sua vez, fica a charmosa Madona di Campiglio, com grande infra-estrutura turística para pratica de esportes de inverno, e onde também se encontram belas montanhas Dolomiti.

Outra região trentina, e com a qual nós da população riocedrense sentimos forte ligação, é a Valsugana, devido ao fato que grande parte dos imigrantes que chegaram a Rio dos Cedros eram provenientes dessa região. As comunidades da Valsugana falam um dialeto que se assemelha ao falado no vêneto (semelhante também ao que é falado até hoje em Rio dos Cedros), e diversos hábitos e modo de vida também lembram ao dos antigos imigrantes.  Foi também  com um misto de curiosidade e emoção que visitei uma das cidades das quais ouvi falar desde criança, a pequena e bela Torcegno, de onde veio Giovanni Berti, meu bisavô materno.

Visitar a terra natal de nossos antepassados também nos permite uma viagem pela história da própria família. Assim sendo, é com grande prazer que, em plagas trentinas, podemos ainda manter contato com parentes Tafner, ou seja, descendentes dos membros da família Tafner que não emigraram, que permaneceram em Trento. Alberto Tafner, presidente da Associazione Trentini nel Mondo e sua esposa, Antonietta Tafner, grande pesquisadora da história da família Tafner e que mantém contato com membros da família no Brasil e nos Estados Unidos, reunindo toda nossa trajetória.

No caso dos “Tafner”, os primórdios nos levam ao Val dei Mocheni, território de colonização alemã, dentro da Provincia de Trento, onde pela primeira vez foi usado o sobrenome Tafner em terras trentinas, surgindo assim a vertente italiana da família. Os caminhos sinuosos das montanhas do vale vão revelando o dificílimo estilo de vida que nossos  antepassados tinham, tendo que tirar sustento de uma floresta inóspita, e onde praticamente nada crescia, devido as grandes altitudes em que o vale se encontra.

Seguindo pelo percurso histórico da família chegamos a Mattarello, pequeno distrito de Trento. Na parte superior da cidade podem-se avistar os campos onde trabalhavam os camponeses, e as vilas onde habitavam os senhores. Pelas ruas estreitas da cidade (herança do passado) é possível apreciar as fachadas e construções de outros tempos. Foi de Mattarello que no longínquo ano  de  1876, alguns membros da família Tafner (entre outras famílias), resolveram emigrar para a América, chegando em Rio dos Cedros. Devido a grande quantidade de famílias que emigraram para Rio dos Cedros, foi batizada, em Mattarello, uma rua com o nome “Via Pomeranos”, em homenagem ao antigo nome de Rio dos Cedros (sendo que até hoje, em Rio dos Cedros, existe a Rua Pomeranos, que atravessa toda a região em que se fixaram as famílias imigrantes).

Rever a terra de origem nos permite compreender muitos hábitos e costumes que portamos, e também redescobri-la, ou seja, apreciar seu desenvolvimento, o tanto que mudou das velhas narrações dos antepassados. O Trentino dos anos de emigração certamente não é o que se encontra hoje, todavia, a herança, as raízes, estão e estarão sempre lá, nos pequenos paeselli, no modo de falar, no modo de vida. Certamente os imigrantes nunca esqueceram sua pátria de origem. Tiveram que abandoná-la, pois dela não conseguiam mais tirar sustento, porém, com muito orgulho e coragem, transmitiram aos seus descendentes a cultura e a nostalgia da terra natal. Hoje, tantos anos depois, nós, descendentes, temos a oportunidade de reencontrá-la, redescobri-la, fazendo essa mágica ligação com o passado.

 

Andrey Taffner

Coordenador do Gruppo Giovane Tosarami

Circolo Trentino di Rio dos Cedros - SC

Participante do “Programma Interscambi Giovanili edizione 2010-2011” promovido pela Provincia Autonoma di Trento – Ufficio Emigrazione


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